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4 de novembro de 2019

Três Décadas e Meia

Tempo de Leitura: 3 min

Dois meses atrás, eu completei três décadas e meia de vida. É surreal pensar que todo esse tempo já passou, que eu já vivi tanto assim, mas os números não mentem. Os últimos vinte anos passaram voando para mim e eu tenho a impressão de que o tempo vai continuar acelerando à frente, cada vez mais depressa. A única solução é viver cada momento da melhor forma possível, independente do que estiver na agenda do dia.

Eu nunca imaginei que minha vida estaria do jeito que está aos trinta e cinco. Solteira, sem filhos, numa rotina bagunçada, e batalhando dia após dia para conquistar pequenos feitos. No entanto, o que eu sei é que, às vezes, a gente perde as rédeas da vida e acaba indo no embalo, sem planejamento algum. Além disso, nem tudo corre de acordo com a linha do tempo que a gente traça em nossas cabeças, então não tem problema algum desencaixar dos trilhos e mudar a direção do trem. O importante é seguir em frente, sempre.

Mesmo longe de onde eu imaginava estar hoje, eu posso dizer que eu sou a melhor versão de mim mesma que já existiu. Quando eu era mais nova, eu era bastante ansiosa e explosiva. Agora, eu sou uma pessoa mais calma, mais paciente, mais compreensiva, mais sensata, mais racional. Eu me conheço melhor, sei quais são os meus gatilhos, tenho consciência dos meus limites. Eu sei o que me tira do sério, o que me faz chorar e sorrir, o que me deixa sem palavras. Eu sei lidar melhor com a minha ansiedade, sei contornar o meu nervosismo, sei esperar por algo que ainda não está da forma que eu desejo. Tudo ao seu tempo.

Eu sei onde eu quero chegar e eu não tenho medo de arregaçar as mangas, colocar a mão na massa e lutar por cada um dos meus sonhos. Eu não sou o tipo de pessoa que desiste pela metade e, mesmo que eu tenha que esperar por mais tempo do que o estimado, eu vou acalmar o meu coração e aguardar pelo desfecho. Alcançar os meus objetivos é uma questão de tempo. Eu vou adaptar onde for preciso, mas eu não vou desistir.

Aos 35, a vida não é mais como costumava ser. Você não tem mais tantos amigos, você quer um emprego mais estável, você se contenta com coisas mais simples, você prioriza deixar as contas sempre em dia, mesmo que isso signifique não comprar aquela roupa nova que você queria este mês. Você dorme mais cedo e acorda mais cedo também, você tem plantas em casa, você compra frutas e verduras regularmente, você não se importa em passar a sexta-feira de noite deitada no seu próprio sofá. Menos drama, mais assertividade.

No entanto, você também já não tem pique para fazer tudo o que fazia aos 20. O corpo já mostra sinais de cansaço, mas a cabeça continua intacta, mais lúcida do que nunca. Você sabe o que precisa ser feito, mesmo que seja algo que você não esteja muito disposta a fazer. Nem tudo dá certo sempre — e você entende isso melhor agora.

Desde o final do meu último relacionamento, eu decidi que eu não posso esperar por ninguém para encontrar a minha felicidade. Eu não preciso de alguém do meu lado para me sentir plena e realizada. Eu sou suficiente. Eu escolho as coisas que eu gosto, eu faço as coisas que eu quero, eu vivo as coisas que eu almejo. Por mais que existam momentos em que eu me sinta sozinha, isso não significa que eu não seja feliz por conta própria. Eu sou feliz nos meus termos, sem precisar de um outro alguém para completar esse sentimento.

Sim, eu gostaria de poder compartilhar minhas alegrias e tristezas com outra pessoa, mas essa etapa da minha vida ainda não chegou. Talvez nunca chegue, eu não sei. Hoje, aos 35, eu não estou mais esperando por alguém para preencher o vazio do meio do meu peito. Eu aprendi a viver com ele lá, e isso não me torna menos merecedora de amor. Muito pelo contrário.

Eu sigo sonhando, vivendo a vida um dia por vez, aproveitando os momentos simples, os momentos especiais, e os momentos que só eu posso criar para mim mesma. Sou grata pelas pessoas que passaram por minha vida, pelas que ainda caminham lado a lado comigo por esta jornada turbulenta, pelas que ainda cruzarão pela minha vida, independente das circunstâncias. Eu tenho sorte de ter uma família e amigos que me apoiam em cada decisão tomada, sem questionar meus motivos. A vocês, o meu muito obrigada.

Rumo aos trinte e seis. Devagar e sempre.

♫ RADWIMPS - そっけない

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2 comentários em "Três Décadas e Meia"
  • Este foi o post que fez toda a diferença pra mim! ainda me lembro quando li ele... e ali decidi que a minha vida mudaria (quem sabe pra sempre)...

    Tudo começou neste post... e o resto é história! ;)
    Beijo

    • Esse post realmente fez toda a diferença, hein? Mesmo depois de anos lendo o meu blog de cabo a rabo, tu finalmente criou coragem para deixar um comentário aqui... Hahaha! Sim, acho que tu leu exatamente o que tu precisava ler, no momento em que tu precisava ler, e tudo o que aconteceu depois disso foi por culpa deste post. Que bom, né? Que este seja apenas o começo de uma história que tem tudo para dar certo... Porque, não adianta, quando é para ser, é para ser... E a gente sabe que não é à toa tudo o que aconteceu desde o nosso início até aqui. Talvez, como tu sempre diz, era mesmo o nosso destino. Fique à vontade para vir aqui mais vezes e comentar as besteirinhas que eu escrevo... E, de novo, obrigada por ter voltado para a minha vida, guri. Antes tarde do que nunca. Beijo! :)