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27 de julho de 2020

A Mão na Maçaneta

Tempo de Leitura: 3 min

Minha vida virou de cabeça para baixo quando eu encostei a minha mão naquela maçaneta. Eu senti meus joelhos falharem por alguns instantes e eu sabia que a resposta estava atrás daquela porta. Uma porta que ficou fechada por cerca de seis anos. Seis anos. No entanto, o tremor das minhas mãos me convenceu de que, agora que a porta estava aberta de novo, talvez fosse a hora certa de derrubar as minhas muralhas e aproveitar a vista do horizonte.

Eu entrei no carro rápido, ainda nervosa e desviando o olhar nos primeiros segundos daquele reencontro com ele. Depois de fechar a porta, eu me virei para ele e dei um abraço torto, meio sem jeito, porque era a coisa mais óbvia a se fazer naquele momento. Eu estava tentando não pensar muito, ser eu mesma, e não deixar transparecer a pilha de nervos que eu estava.

Quando os nossos olhos se cruzaram pela primeira vez, nós dois sorrimos. Quanto tempo fazia que não vivíamos isso? Estar perto um do outro e se sentir tão bem consigo mesmo? Sim, doze anos. Em um piscar de olhos, nós entramos em um túnel do tempo e fomos transportados para 2008, de uma forma tão rápida e natural, que tudo pareceu estar no mesmo lugar de sempre. Era eu e ele, como sempre foi. E eu voltei a respirar normalmente.

Em poucos segundos, eu percebi que aqueles tantos anos sem vê-lo não mudaram a nossa história. Não mudaram em nada a nossa dinâmica. Era fácil estar perto dele, era reconfortante poder ser eu mesma por completo, sem travas. Sempre foi assim conosco. Essa facilidade de conversar, as piadas afiadas, as risadas constantes, o deboche mútuo. Eu nunca soube explicar porquê eu me sentia tão bem quando eu estava com ele, mas eu acho que só era assim porque ele sentia o mesmo que eu.

Naquela noite, eu o enxerguei com outros olhos pela primeira vez. Ele não era mais o meu colega favorito da faculdade, o amigo que dividia comigo uma porção de batatas fritas no intervalo das aulas, o cara com quem eu trocava um bilhões de e-mails por dia. Enquanto ele conversava sobre assuntos aleatórios, meus olhos escanearam cada centímetro daquele rosto que me era extremamente familiar anos atrás. Agora, eu estava absorvendo tudo diferente; o jeito de falar, as expressões faciais, os trejeitos — e todas as vezes que ele virou para mim e olhou dentro dos meus olhos. O que está acontecendo comigo? Você também está sentindo isso? Ou estou imaginando coisas?

Antes de ir embora, o nervosismo me tomou por completo. Eu queria um abraço. Eu não queria ir embora sem ter a certeza de que ele era o culpado pelo meu coração estar batendo mais rápido. Eu ri, me fazendo de indiferente, mas aquilo não era algo que eu podia controlar. Em poucos segundos, ele iria se levantar e vir se despedir de mim. Eu sabia o que estava para acontecer. E eu queria aquilo.

Quando ele deu aquele último passo que faltava para chegar na minha frente, eu congelei de cima a baixo com a expectativa. O abraço veio — e me derrubou por completo.

Ao chegar em casa, meus lábios não conseguiam conter os sorrisos. O meu peito ressoava com as batidas aceleradas do meu coração e nada na minha cabeça mais fazia sentido. Por que agora? Por que depois de todos esses anos? Não sei, mas era muito bom sentir tudo aquilo que eu não sentia há tanto tempo. Paixão. Esperança. Excitação. Euforia pelo o que estava por vir.

A maçaneta do carro, para mim, foi o começo de uma história que levou doze anos para acontecer. Doze anos de uma sintonia inexplicável, de sentimentos indecifráveis, de lembranças adormecidas no peito, de coincidências estranhas, de uma saudade entalada na garganta. Doze anos de desencontros. Mas que este recomeço seja o começo de todo o resto. De uma longa história de amor. De uma vida inteira ao lado dele.

♫ Ouvindo: DISH// - Shape of Love

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5 comentários em "A Mão na Maçaneta"
  • Olá,
    Como vai?
    Que texto lindo *-*
    Tão boa esta sensação de que agora vai ser diferente, de sentir o coração bater fortemente não é mesmo?
    Me lembrou de um episódio há 3 anos atrás quando encontrei uma pessoa especial...foi por ela que comecei a escrever, inclusive :)

    Queremos mais textos assim ein?! kkkk

    Beijos e boa semana

  • Fê,
    Hoje tu sabes que eu te acompanhava de forma anônima... lendo tuas histórias, teus contos... lendo sobre a tua vida!
    Mas, uma vez mais, preciso dizer como tu consegue escrever de uma forma que transporta quem está lendo para dentro da história... sem dúvida é um dom que nasceu contigo!
    Como disse nosso amigo Sandro no comentário anterior... precisamos de mais histórias assim, porque, de fato, tu escreve MUITO!! <3

    Parabéns!!! Serei o primeiro da fila para receber a dedicatória do teu primeiro romance publicado! ;)

  • Que graça de conto! Espero encontrar alguém assim um dia.

    Bom fim de semana!

    OBS.: O JOVEM JORNALISTA está em quarentena de 22 de julho à 31 de agosto, mas comentarei nos blogs amigos nesse período.

    Até mais, Emerson Garcia