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5 de junho de 2020

Quem é o Kenshi Yonezu?

Tempo de Leitura: 8 min

Em meados de agosto do ano passado, ao baixar o álbum do ator Masaki Suda, eu me deparei com Haiiro to Ao, um dueto dele com um outro cantor japonês. Logo na primeira vez que eu escutei a música, minhas anteninhas já ficaram alertas. A voz desse outro cantor era diferente, suave, extremamente agradável, e me deixou muito curiosa. Além disso, a música também tinha um ritmo gostoso. E eu pensei... Meodeus, quem é esse cara? Eu quero ouvir mais! Mais!

O nome dele era Kenshi Yonezu, um japinha alto, magro, esquisito, de 28 anos. No mesmo dia, eu fui atrás de outros trabalhos dele e já baixei o seu último álbum de estúdio, chamado BOOTLEG — em resumo, hino atrás de hino. Em poucos dias, eu entendi que ele era uma pessoa especial. Sem sombra de dúvidas, um artista diferenciado e único.

Fonte: Moshi Moshi Nippon

Nos meses seguintes, eu entrei numa bolha chamada Kenshi Yonezu — e ele simplesmente virou o meu artista favorito do mundo inteirinho naquele momento. Eu passava o dia inteiro ouvindo as músicas dele e consumindo todas as informações que eu encontrava sobre ele na internet. Semanas depois, o status foi atualizado para fã de carteirinha. Virei fã de verdade! Admiração além do alcance!

QUEM É ELE?

Kenshi Yonezu — ou Yonezu Kenshi, como é pronunciado o seu nome nativo — é um cantor, compositor, produtor e ilustrador japonês. Ele nasceu em 10 de março de 1991, em uma cidade rural de Tokushima, na ilha de Shikoku. Tímido, reservado e introspectivo, Kenshi sempre teve dificuldades em se relacionar com outras pessoas e passava muito tempo sozinho.

Fonte: ACT

Durante os seus anos de colégio, ele começou a se aventurar pelo mundo da música e criou uma banda com um amigo para o festival da escola, chamada Late Rabbit Edda. Além de escrever e compôr músicas para a banda, ele também escrevia contos e histórias curtas.

Após terminar o Ensino Médio, ele se mudou para Osaka, onde começou um curso de artes. Desde cedo, Kenshi sempre foi uma pessoa criativa e artística, o que explica não só a sua paixão por música, como por ilustração e escrita também. Por volta de 2008, ele começou a publicar músicas originais em um site de compartilhamento japonês, mas isso não foi suficiente para alavancar a sua carreira.

O COMEÇO DA CARREIRA

Em 2009, ele deu um pontapé na sua carreira musical produzindo vocaloids (músicas produzidas em um software e cantadas por personagens fictícios através de sintetizadores vocais) com o nome artístico Hachi (“oito”, em japonês), ganhando uma popularidade bem rápida na época. Uma das músicas recebeu mais de 1 milhão de visualizações no site naquele ano. Na mesma época, ele também mantinha um blog e chegou a receber um prêmio pelo conteúdo que publicava lá.

Com o constante reconhecimento das suas músicas vocaloid, que passaram a aparecer em álbuns e jogos deste nicho, ele foi ganhando ainda mais popularidade. Em 2010, ele decidiu sair da banda que formou na época de escola (que agora se chamava Ernst Eckman) e começou a focar na sua carreira solo.

Dois anos mais tarde, ele lançou o seu primeiro álbum como cantor, Diorama, pela gravadora Balloom, que criou com outros sete artistas, ainda de forma independente. Em 2012, Kenshi assinou um contrato com a gravadora Universal Sigma, por onde lançou o seu primeiro single solo, “Santa Maria”.

Fonte: Life Day Music

Em pouco tempo, outras músicas do cantor foram se tornando mais conhecidas e ele começou a fazer o seu nome no país. Hoje, aos 29 anos, conta com mais de 15 hits, além de uma coleção extensa de prêmios e de fãs. Ele escreve, compõe, remixa e produz todas as suas músicas, além de criar todas as artes para os seus álbuns, que são lançados pela sua própria gravadora, Reissue Records. Alguma dúvida de que ele é um menino prodígio? Eu não tenho nenhuma.

A GENIALIDADE DA SUA MÚSICA

Atualmente, o Kenshi tem sua própria gravadora e é considerado um hitmaker no Japão — compondo e produzindo músicas para outros artistas também. Mesmo sem lançar um novo álbum em quase três anos, ele continua nas paradas de sucesso do Japão (Orion e Billboard) e todas os singles lançados desde então têm sido extremamente bem acolhidos pela mídia e pelo público japonês.

Para mim, que estou acostumada com artistas e bandas ocidentais, ouvir as músicas que o Kenshi compõe foi um sopro de ar fresco para mim. Ele tem uma percepção um pouco diferente na hora de juntar a letra, a melodia e a sonoridade de cada música. Adepto a pausas inesperadas, suspiros e sons do cotidiano (que muitas pessoas nem percebem), ele torna cada música uma experiência única.

Fonte: MusicMusic

Além da melodia e da voz, ele também tem um jeitinho incrível de juntar palavras em suas composições, escrevendo letras marcantes e que tocam as pessoas de uma forma diferente. E, óbvio, ele tem o dom de criar refrões que ficam grudados em sua memória — sem ser chiclete e irritante.

“LEMON” & “UMA TO SHIKA”

Com certeza, as duas músicas mais conhecidas do Kenshi são “Lemon“ (que ele escreveu como música-tema para o drama Unnatural, inspirado pelos sentimentos de dor e perda em decorrência do falecimento do seu avô) e “Uma to Shika”, seu mais recente single.

“Lemon” foi — e ainda é — o single de mais sucesso na carreira de Kenshi. A música foi escolhida como a “Música do Ano” por dois anos seguidos no Japão. Isso mesmo, em 2018 e 2019, o que já é algo de causar espanto. Além disso, ela também é uma das músicas mais escolhidas em karaokês no país e continua nas paradas de sucesso e tocando em rádios até hoje.

Pessoalmente, “Uma to Shika” (em português, “Cavalo e Veado”) é uma das músicas mais marcantes para mim e também a música que eu mais ouvi no ano passado. Ela foi lançada em setembro de 2019 e ganhou muita popularidade por ser a música-tema do drama japonês No Saido Gemu (“No Side Game” ou No Side Manager, título em inglês). Além disso, ela tocou constantemente em rádios e estádios durante os jogos da Copa de Mundo de Rugby, no Japão, no ano passado. Amo demais!

O QUE MAIS OUVIR?

Além de “Lemon” e “Uma to Shika”, seguem aqui algumas indicações de outras ótimas músicas do Kenshi Yonezu para ouvir. Clica no play aí e curte!

LOSER (2016)

“LOSER” é definitivamente a minha música favorita do álbum BOOTLEG, e uma das músicas que ajudou o Kenshi a alcançar o estrelato em meados de 2017. O clipe é maravilhoso: um compilado de cenas com o Kenshi dançando o que era para ter sido uma rotina coreografada, mas acabou virando free style — pela peculiaridade dos seus movimentos e da estética de sua dança. Essa música tem um energia muito boa e foi, muitas vezes, a primeira música que eu dava play ao acordar todo dia de manhã.

Flamingo (2018)

Outra música que eu também curto bastante é “Flamingo”. Gosto do jeitinho desleixado que ele canta essa música, do som do baixo e dos efeitos vocais que ele adiciona em várias partes da música (vejam se vocês conseguem perceber). Outra coisa marcante na música são as pausas entre o refrão e os versos. Cada um desses detalhes deixa a música ainda mais interessante. Fora que o clipe também é demais.

TEENAGE RIOT (2018)

Lançada como Side-B em 2018, “TEENAGE RIOT” tem uma pegadinha mais rock e também está entre uma das minhas músicas favoritas do Kenshi. O clipe é em preto e branco (lindo demais, néam?) e é apenas um amontoado de imagens dele cantando a música em frente à banda — adoro como ele mexe as mãos e os dedos. Bem típico do Kenshi! Um boost de energia!

orion (2017)

Essa é provavelmente uma das músicas mais soft dele. “orion” tem uma vibe leve, calma e tranquila. Acho o clipe bem diferente, todo trabalhado na simplicidade — lâmpadas, roupas, mar e uma máquina de lavar. E, sem dúvidas, a minha parte favorita é que o Kenshi gravou o clipe com aparelho nos dentes... Tipo, ele não está nem aí! Acho demais! Adoro muito essa música!

Peace Sign (2017)

Mais um hino que colocou o Kenshi no topo das paradas de sucesso, lá em 2017. A primeira vez que ouvi “Peace Sign” foi em um vídeo de um show dele e eu curti muito. Adoro a parte em que ele está pintando o set no clipe, porque essa é uma característica muito forte da personalidade dele. Artista e ilustrador e tal... E eu não sei o que eu gosto mais: Kenshi descalço ou Kenshi de All Star.

Uchiage Hanabi (2017)

Em 2017, o Kenshi escreveu “Uchiage Hanabi” como música-tema da animação ”Fireworks” e convidou a cantora DAOKO para fazer o dueto com ele. Ele também gravou a versão solo da música, que está no seu álbum BOOTLEG, lançado alguns meses depois da estreia desse single. A música fez bastante sucesso na época, ficando em primeiro lugar na Billboard de Japan Hot Animation por várias semanas e ganhando o prêmio de “Música do Ano” no Space Shower Music Awards em 2018.

Haiiro to Ao (2017)

E aqui está a música que mudou tudo para mim... “Haiiro to Ao”, ou “Grey and Blue”, foi a primeira música do Kenshi que eu ouvi. Como eu já disse no início do post, ele gravou essa música com o ator Masaki Suda em 2017 e fizeram muito sucesso. Para quem não sabe, o Masaki Suda é o meu ator japonês favorito (o menino atua demais, é uma loucura), então imaginem o impacto dessa música para mim hoje em dia.

Para quem gostou do pouco que viu aqui e quiser ir mais a fundo, os clipes das músicas mais antiguinhas são maravilhosos também: Santa Maria, MAD HEAD LOVE, Eine Kleine, Metronome, Fluorite, Unbelievers, Flowerwall, WOODEN DOLL, Poppin' Apathy, vivi, Go Go Ghost Ship, Living Death Youth e Love and Fever. Das músicas mais recentes, deem uma olhadinha nos clipes de Paprika — este é um self-cover da música que ele escreveu e produziu para um outro grupo — Spirits of the Sea e Shunrai.

O QUE ESTÁ POR VIR?

Hoje pela manhã, ele postou no Twitter que o novo álbum dele será lançado no dia 5 de agosto. Eu nem estava esperando um álbum agora, então pulei de alegria quando li a novidade. O novo álbum se chama STRAY SHEEP e traz, mais uma vez, uma ilustração do próprio Kenshi na capa (além da arte de todas as páginas do encarte). Das 15 faixas do álbum, 4 já foram reveladas (porque foram singles lançados por ele anteriormente): “Lemon“, “Flamingo”, “TEENAGE RIOT” e “Electric Shock”.

Capas dos álbuns e singles do Kenshi Yonezu, todas ilustradas pelo próprio músico

Trocando em miúdos, ele é um hitmaker bem consagrado no Japão e acredito que isso só deve aumentar em proporção nos anos por vir. Honestamente, na minha opinião, o Kenshi é um gênio musical. Não vejo a hora dele ficar famosinho no mundo inteiro, para eu ter a oportunidade de ver um show dele. Caso isso não aconteça, eu juro que compro o ingresso e vou para o Japão só para ver o mito ao vivo e a cores.

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