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14 de abril de 2018

Planejando a vinda para o Canadá

Depois de um intercâmbio de 8 meses em Toronto, nove anos atrás, a decisão foi tomada rapidamente: eu retornaria ao Brasil para terminar a minha faculdade e então faria todos os arranjos necessários para voltar a morar no exterior assim que possível. Em 2011, quando já estava com o meu diploma da graduação em mãos, eu cogitei ir para Los Angeles, mas os planos acabaram mudando e eu adiei a minha saída do país por algum tempo.

Em 2013, eu comecei a organizar a minha primeira viagem aos Estados Unidos, com um roteiro complexo de 12 dias passeando sozinha pelas ruas de Boston e New York City, onde eu passei o meu aniversário de 30 anos. Por sinal, até hoje, a melhor viagem da minha vida. No final de 2014, assim que voltei de NYC, eu retomei os planos de morar no exterior e decidi que nada (nem ninguém) ia me impedir de colocar meus planos em ação desta vez. E foi como tudo começou...

Planejando a vinda para o Canadá

Em meados de 2015, eu ainda não tinha decidido se voltaria a Toronto ou se arriscaria ir para os Estados Unidos, tentar a vida em Los Angeles ou Boston. O meu Plano A era conseguir uma bolsa de estudos para cursar mestrado na América do Norte, mas depois de alguns meses de pesquisa, ficou bem claro que esta seria a opção mais difícil de conseguir. Eu até cheguei a aplicar para um programa de mestrado no SFAI (San Francisco Art Institute), na California, e fui aceita, mas sem uma bolsa de estudos, o sonho não seria financeiramente possível.

Porém, eu estava preparada e tinha outras cartas na manga... O Plano B era enviar o meu currículo para vagas da minha área a empresas gringas, mas apesar de algumas até terem entrado em contato, o fato de eu não estar na região para agendar entrevistas era uma grande barreira para a continuidade do processo seletivo. Além disso, eu descobri que é muito raro uma empresa fornecer uma oferta de emprego e a carta de suporte para alguém sem visto de trabalho, a não ser que seja um professional altamente especializado e raro no mercado de trabalho. Infelizmente, não é o meu caso.

Vendo que minhas opções estavam se limitando, eu comecei a pensar seriamente no meu Plano C: aplicar para imigrar. Para esta opção, os Estados Unidos já caíam dos meus planos, por motivos óbvios. Então, eu comecei a estudar o processo de imigração para o Canadá com mais afinco. Apesar de totalmente viável nos dias de hoje, eu sempre esbarrava no mesmo detalhe: eu até poderia aplicar, mas eu não teria como comprovar a renda mínima que eles exigem para emitir o convite de imigração, que é cerca de $12.000 para uma pessoa (para casais e famílias, o valor vai se diluindo). Ou seja, era um plano bom e sólido, mas não funcionaria para mim.

Como último recurso, eis que eu tinha o meu Plano D: o mais garantido, o mais promissor, mas também o mais caro. Sem pensar muito nos detalhes, eu comecei a pesquisar sobre o processo de cursar faculdade no Canadá. Meses depois, eu tinha selecionado meia dúzia de instituições e reunido todas as informações necessárias para começar as aplicações. No início de 2016, eu apliquei para Design Gráfico na Centennial College e recebi a resposta positiva semanas depois. Por conta da localização da escola e do curso em si, eu acabei nem aplicando nas outras faculdades. Depois de uma conversa com meus pais, que aceitaram me auxiliar no que fosse necessário, eu cheguei à reta final do plano, em meados de março de 2016.

Planejando a vinda para o Canadá

Em resumo, foi um processo longo, cheio de muita pesquisa, listas de coisas para providenciar e prazos apertados para ter tudo em mãos. Desde 2014, quando eu comecei o planejamento de ir embora do Brasil, eu sabia que seria uma maratona. Em 2015, eu fiz a tradução de todos os meus documentos acadêmicos e duas provas de proficiências, o GRE e o IELTS. E, durante estes dois anos, eu continuei tentando todas as opções possíveis, ou seja, pesquisando bolsas de estudos, procurando vagas de design no exterior, lendo sobre a imigração canadense e me preparando para o que estava por vir. Inclusive, no que dizia a respeito da minha cachorrinha, que eu traria comigo de qualquer jeito.

Se você está pensando em morar fora também, que este post fique como mensagem... O planejamento é longo, cansativo e vem cheio de bolas curvas. Se você é como eu, vítima da ansiedade, tenha em mente que você vai precisar de recursos para se manter calmo e centrado. O que ajudar está valendo, desde chá de maracujá, música, à terapia e meditação. Persistência, dedicação e resiliência devem fazer parte da sua vida. A parte legal é que, se você tiver fôlego para alcançar a linha de chegada, tudo vai ter valido a pena. Todo o esforço e surtos momentâneos serão recompensados. Eu prometo. 🙂

Mas só planejar não leva ninguém a lugar algum... Você precisa agir e fazer a máquina andar. Traçar metas para cada período, de forma progressiva, é a melhor solução. No entanto, algumas metas são necessárias ao longo do trajeto também. Durante dois anos, eu cortei todas as despesas possíveis do meu orçamento. O meu salário era destinado exclusivamente a pagar as minhas despesas básicas (moradia, alimentação e transporte) e cobrir os gastos com tradução, provas de proficiência, vistos, passagens, etc. Sem jantas fora de casa, sem cinema, sem roupas novas, sem qualquer coisa supérflua. Foram dois anos de muitos filmes e seriados na minha cama e almoços de finais de semana na casa dos meus pais.

Planejando a vinda para o Canadá

Outro ponto estressante do meu planejamento foi manter toda essa movimentação em segredo... Poucas pessoas sabiam o que eu estava fazendo; minha família, meus melhores amigos e só. Inclusive, quando eu comuniquei na empresa que eu estava saindo para ir morar fora, eu peguei várias pessoas de surpresa. No entanto, eu achei que eu deveria fazer dessa forma, porque o meu foco e dedicação seria maior. Eu estava fazendo aquilo para mim mesma, então o mundo não precisava saber de nada. Para ajudar, alguns post-its ficaram colados no meu monitor do trabalho por estes dois anos também: “coragem”, “questão de tempo” e “nunca desista”. Acho que deu certo...

Eu diria que você precisa de, no mínimo, um ano e meio para organizar a sua ida para o exterior e colocar todas as metas em ação. Geralmente, o processo leva em torno de dois anos, pelo o que eu ouvi de outras pessoas que vieram e pela minha própria experiência... Mas tudo o que você precisa é força de vontade e o desejo de morar em outro lugar do mundo. A parte mais importante, na minha opinião, é saber que a sua vida vai mudar brutalmente e que o início dessa mudança será desafiadora. Você vai precisar de um tempo para se estabilizar no novo local, o que é uma merda, mas é normal.

E aí? Está pronto para arregaçar as mangas e dar início a esta aventura? Boa sorte!

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4 comentários em "Planejando a vinda para o Canadá"
  • Olá, Fernanda! Cheguei no seu blog porque estava procurando informações sobre Toronto e arredores. Sou mineiro, professor da área de Letras e Educação, no Brasil, e estou em Toronto, na York University, como pesquisador pós-doutor por alguns meses. Gostei muitíssimo de alguns textos que li por aqui. São muito bem escritos, muito claros, e adorei saber sobre suas experiências por aqui! Sucesso na vida, viu! Um abraço brasileiro, Hércules

    • Olá, Hércules? Como vai? Obrigada por sua visita aqui no blog e pelos elogios aos meus textos... Muito legal saber que você está em Toronto também. Eu cogitei fazer mestrado na YorkU por algum tempo, mas acabei optando por fazer college pelo custo e praticidade. Espero que você tenha uma ótima estadia por aqui e sinta-se convidado a voltar ao blog sempre que quiser... Um grande abraço.

    • Oi Ana! Sim, mudar de país é uma mudança drástica e bem desafiadora, principalmente quando você está enfrentando a aventura sozinha, mas é bacana encontrar as boas surpresas pelo caminho... Espero que tudo continue indo de acordo com os planos. Obrigada pelos votos de sucesso! Dei uma espiadinha no seu blog e vi que você também deseja fazer as malas e viver longe de "casa"... Então sucesso para você também! Beijocas! <3