Mais um ciclo que se completa. Quarenta e dois.

Ultimamente, a vida tem dado voltas interessantes. Eu me encontro onde nunca imaginei que estaria com esta idade — descobrindo um mundo novo em terras distantes e sem certeza alguma do que me espera no futuro. No entanto, estou exatamente onde eu preciso estar. Aqui, agora e vivendo mais essa aventura.

Muitas vezes, é assustador pensar que eu ainda não tenho definições sobre a minha própria vida. Com certeza, seria mais fácil me acomodar com uma vida simples e que funciona para mim, sem me colocar em situações em que eu preciso me desdobrar para contornar obstáculos e vencer desafios — e até mesmo arriscar perder o que eu já conquistei.

Mas será que eu fui moldada para ter essa vida simples e corriqueira? Acredito que não. Para mim, correr atrás de sonhos e buscar novos propósitos é o que me impulsiona para frente. Eu não quero cair na rotina, viver o mesmo dia, um depois do outro. Eu quero me sentir merecedora de cada passo, de cada graça recebida, e saber que nada do que veio até mim foi apenas sorte ou obra do acaso. Saber que eu lutei por isso.

Eu estou navegando deliberadamente por mares desconhecidos. E sei que a jornada até o porto vai valer a pena.

Encontrar o que faz o meu coração bater mais forte e sentir minha criatividade a pleno vapor, moldando essa jornada em tempo real, é o que traz sentido aos meus dias. E também saber que estou avançando, seguindo minhas ideias e o meu coração, e que cada escolha foi metodicamente estudada e tomada de acordo com o que julgo ser a melhor opção para mim.

Nem sempre essas escolhas me trazem os resultados esperados. Os últimos dois anos me provaram que as “escolhas certas” ocasionalmente te levam para o lugar errado. Às vezes, algo dar errado é uma bênção disfarçada. Isso tudo está relacionado com o timing dos acontecimentos, com as circunstâncias que você está vivendo, e com um pouco de sorte também. No momento de desespero, olhar para trás, reavaliar suas opções e mudar a rota é provavelmente a decisão mais importante.

Como já dizia Albert Einstein, loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Portanto, em vez de cair, levantar e tentar aquilo de novo, você cai, levanta e faz algo completamente diferente. Continuar na mesmice é ineficiente. Muitas vezes, dar meia-volta e tentar algo inusitado é justamente o que você precisa.

No entanto, não é todo mundo que encontra essa força de vontade para sair da zona de conforto, largar uma vida inteira para trás e começar tudo de novo. Ainda mais duas vezes. Mas coragem é algo que eu tenho de sobra, e eu sei que ter encontrado uma porta fechada não significa ter chegado ao fim do caminho.

Mesmo quando o coração está quase saindo pela boca, eu não me deixo abater. Eu tenho os meus medos assim como todas as pessoas. Eu choro, eu fico chateada, eu me frustro, eu sofro. Ainda assim, ficar na inércia não faz parte dos meus planos. Eu preciso de um objetivo claro e de algo que me mova. Sempre.

Pisando na meia-idade agora, a perspectiva de tudo muda um pouco. Eu estou “atrasada” para checar vários itens da tradicional lista da vida, como casar, ter filhos, construir uma família e encontrar círculos de convívio estáveis e permanentes. Isso me assusta um pouco, mas eu sei que nem todo mundo nasceu para traçar o mesmo caminho. Ou talvez cada pessoa encontre essas coisas em momentos diferentes da sua vida.

Eu, definitivamente, não estou vivendo dentro dos moldes esperados. Sempre gostei de ser diferente e acho que isso só reforça ainda mais a minha personalidade sonhadora e aventureira — e a própria trajetória da minha vida.

Seria mais fácil me acomodar e parar de querer viver circunstâncias grandiosas ou de esperar que a minha vida se torne um roteiro de filme, mas estou apenas sendo verdadeira comigo mesma. Seja o que tiver que acontecer daqui para frente, eu sempre digo a mim mesma que, se eu não tentar e desistir de descobrir todas as possibilidades para a minha vida, elas simplesmente não vão acontecer. E isso é ainda mais apavorante, concordam?

Ouse sonhar. Ouse buscar novos desafios. A idade não é um obstáculo. É a fonte de sabedoria e autoconhecimento que te empodera para buscar exatamente o que você quer. Depois dos 40, você entende perfeitamente todos os seus padrões, sabe onde falha e onde brilha, tem mais paciência e não se importa mais com a percepção dos outros.

O novo ciclo que está começando promete ser desafiador, porém talvez o mais recompensador para mim. Talvez este seja o ano em que a minha vida se dividirá em duas partes. O antes de 2026 e o depois. Como sempre, eu vou deixar as ideias apenas nas entrelinhas, já que tudo ainda é incerto. Quando eu tiver boas notícias, talvez eu volte para contar.

Por enquanto, o que importa é que, aos quatro dois, eu estou pronta para descobrir o que o destino me reserva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *