18 de novembro de 2009

Primeiro Beijo

Eu estava sentada na frente dele com o violão no meu colo, quando ele se levantou abruptamente (como se ele tivesse decidido fazer aquilo naquele exato segundo e não pudesse esperar mais), tirou o violão das minhas mãos e pediu que eu ficasse em pé. Sem entender muito bem o que ele pretendia fazer, eu me levantei e olhei meio suspeita para o rosto perfeito dele. Ele ficou parado na minha frente por algum tempo, nossos olhos praticamente na mesma altura, e nenhum dos dois se atreveu a piscar por vários segundos.

E então ele se virou e começou a dar a volta por trás de mim. Meu rosto virava aos poucos, acompanhando o trajeto dele enquanto ele me circundava. Parou do meu lado esquerdo, me olhou de cima a baixo e eu senti a mão dele tocar levemente meus cabelos. Dez segundos depois ele estava atrás de mim. Apesar de não ter enxergado, eu tive certeza de que ele aproximou o seu rosto de mim para sentir o cheiro dos meus cabelos. Meu coração batia a mais de cem quilômetros por hora e todos os pelos do meu corpo estavam eriçados. Senti um frio na barriga enorme quando o enxerguei novamente, ao meu lado direito. Ele passou a mão dele sobre a minha, foi traçando com o dedo um caminho até meu pescoço e segurou meu rosto com as duas mãos.

Mais uma vez nossos olhos se trancaram. Era como se nós não precisássemos dizer nada. Eu sentia o calor nos olhos deles e eu sabia o que me aguardava. Senti um calafrio gostoso subir minha espinha. Minhas mãos continuavam paradas ao lado do meu corpo, e mesmo que eu tentasse abraçá-lo, eu não conseguiria naquele momento. Minhas pernas e meus braços estavam moles. Ele deu um passo à frente e nossos narizes se tocaram. Senti uma eletricidade correr por todo meu corpo. O nariz dele estava gelado, mas as mãos quentes e úmidas dele estavam firmes em volta do meu rosto. Ele continuava olhando diretamente nos meus olhos.

Naquele instante, eu senti um impulso de me jogar para frente, fechar os olhos e aproveitar cada milésimo do que viesse a acontecer, mas não, eu resisti. Ele me olhava com muita ternura, de um jeito tão doce que meus lábios não conseguiam desfazer um sorriso bobo em meu rosto. Ele desviou o nariz dele do meu, se aproximando ainda mais de mim. A ponta do nariz gelado dele tocou a minha bochecha e, mais uma vez, eu me arrepiei toda. Agora eu já conseguia escutar a respiração dele, curta e rápida, e o hálito dele, de sorvete de flocos, que havíamos comido pouco antes. As mãos dele continuavam segurando o meu rosto, do mesmo jeito que estavam há dois minutos. Aqueles dois minutos que pareciam ter sido uma eternidade, uma vida toda, e que eu não me importava nenhum um pouco que nunca terminassem.

Ele passou o polegar pela minha bochecha, me acariciando, e eu sorri mais forte para ele. Como se isso fosse possível. Ele sorriu de volta, deixando novamente meus joelhos bambos. Aquele sorriso perfeito, que significa mais do que mil palavras para mim. Mais que tudo que ele já me disse por toda a vida, mais que todos os elogios e palavras incentivadoras que já saíram daquela boca. E então ele se aproximou um pouco mais, deixando o seu lábio superior encostar suavemente no meu. A nossa primeira vez. O nosso primeiro beijo. Dei uma última olhada no fundo dos olhos dele, e fechei os meus. Ele beijou meus lábios bem devagar, me deixando sem fôlego. Eu poderia jogar tudo para cima e desejar apenas uma coisa pro resto da minha vida: que ele nunca mais saísse dela.

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