22 de junho de 2013

Cobranças

E de repente você percebe que não está satisfeita com as coisas que conquistou para você até aquele ponto de sua vida. Simples assim. Mas diferente da reação mais comum das pessoas, eu não vou me lamentar ou reclamar de nada. Até porque não tenho muito do que reclamar. As coisas estão bem e, mais importante, eu estou em paz comigo mesma. Mas sinto que tem algo faltando, algo que ainda não está onde deveria estar. Não é como se tudo o que você fez até aquele momento não tenha sido importante, significante ou suficiente, mas você só espera que fosse diferente. E daí é que me dou conta do que realmente está errado: eu cobro demais de mim o tempo todo.

Por mais que as coisas estivessem às mil maravilhas, ainda assim não estaria tudo bem. Eu sou exigente, perfeccionista e cobro sempre o melhor de mim, o melhor de tudo. E, novamente, algo fica ainda mais claro para mim: este é o principal motivo por eu me sentir frustrada muitas vezes. Não estou dizendo que não dei o melhor de mim até então, mas tenho a impressão de que nunca estou satisfeita comigo mesma. Espero sempre poder fazer mais, ter melhores resultados. Por mais que isso seja positivo e te alavanque para cima muitas vezes, chega um momento em que cansa e você se esgota de ser a melhor versão que pode ser. E então você acaba não sendo versão alguma, por medo de não ser boa o suficiente.

Preciso parar de cobrar tanto de mim, de me preocupar em tomar as melhores decisões, de pensar tanto lá na frente. Eu tenho objetivos bem claros em minha vida, mas não tem problema se, por alguns segundos, eu parar de pensar neles e respirar com calma, despreocupada. Muitas vezes parece que tudo o que faço se torna uma obrigação, como se eu tivesse que cumprir uma agenda e realizar todos aqueles procedimentos, caso contrário nada nunca funcionará direito. Eu preciso parar de pensar que tenho que estar sempre alerta ou posso perder o rumo da caminhada. Eu sei que não vou perder.

Não tem nada de errado em querer tomar um ar de vez em quando, aproveitar a vida, sem pensar no futuro ou nas coisas que ainda não estão em seus lugares. Tudo bem que o emprego certo ainda não apareceu, que meus projetos pessoais estejam com os prazos um tanto atrasados, que o curso de pós-graduação precise esperar mais alguns semestres… Não quero apressar nada, não preciso apressar nada. Tudo vai acontecer ao seu tempo e não cabe a mim bater a cabeça na parede porque o relógio está 5 minutos atrasado. Paciência é uma dádiva e a pressa é inimiga da perfeição.

Sem mais cobranças...

Sei o que preciso fazer e também sei que tudo só depende de mim para que aconteça do jeito que eu quero, mas eu não preciso me afobar e querer tudo para ontem. Ir devagar também tem suas vantagens; você faz tudo com mais certeza, com mais confiança, com mais cautela, não correndo tantos riscos e se certificando que cada passo levará você exatamente para onde deseja. Então por que correr contra o relógio? Se você sabe que é capaz de conquistar tudo o que quer (e merece), nada vai impedir você de atingir seus objetivos.

Chega de fazer to-do-lists para tudo, chega de organizar demais as coisas, de fazer planos e mais planos. O que eu preciso agora é uma folga para meus pensamentos, é acalmar os meus instintos para focar no que realmente é importante para mim. Quero aproveitar mais os momentos, curtir o que me faz bem e achar motivação e inspiração para fazer o que devo. O que é certo para mim. Não quero fazer nada por obrigação, mesmo que seja eu quem dita minhas próprias regras. Preciso dar um desconto a mim mesma, relaxar um pouco. Viver em uma panela de pressão nunca me fará bem. Muito menos agora.

Em algum momento, todos precisamos disso. Respirar, trocar os fluidos, colher novas energias, se replanejar. É bom que cobramos de nós próprios, pois isso sempre nos incita a ser superiores, porém é necessário que haja um equilíbrio. Saber quando você pode cobrar e quando deve aceitar que aquele é o limite. Que nada será melhor do que aquilo. Que você precisa mudar a estratégia para alcançar degraus mais altos. A minha estratégia agora é essa: não cobrar tanto de mim, para que eu possa contemplar minhas opções e então exigir chegar até o último nível. De nada adianta estar no topo, se você não está na escada certa.

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6 comentários em "Cobranças"
  • Me identifiquei muito com seu post. Sou exatamente assim. Meu dia a dia está tao planejado que parece que passo meus dias cumprindo listas. E o pior, sao listas que eu mesma organizo, e quase nunca consigo cumprir. As vezes por ter exigido demais, mas as vezes sao coisas simples, mas eu acabo postergando tanto que elas nao finalizam. Aí eu percebi que é por perder o prazer de fazer as coisas. É como se tivesse entrado em loop, por que começo a pensar se realmente quero o que vem depois. O preco da rotina PACE caro demais sabe? Mas na sexta parei pra repensar algumas decisões, e comecei a criar uma rotina que me permite tempo de lazer entre uma coisa e outra (sim, por que ler livro tinha virado perda de tempo!). To confiante de que vá da certo, sinto que mesmo sendo poucos minutos por dia para alguns dos meus projetos e momentos de lazer, acredito que isso vá me fazer sentir que estou fazendo as coisas caminharem, mesmo em pequenos passos. Vamos ver. Boa sorte pra voce também! :)

  • Eu também me identifiquei com o seu post, demais!
    Eu também sempre me cobrei muito e não tentava fazer algumas coisas por achar que não ia conseguir ou não ia ficar bom. O desenho era uma delas, nunca desenhava pois tinha medo de não fica bom o suficiente para mim, pode isso?
    É muito saudável ser crítico consigo mesmo, querer fazer sempre o melhor e buscar se organizar para conseguir atingir seus objetivos, o que não pode é nos tornarmos escravos disso.
    Estou em uma fase de reposicionamento profissional e com várias idéias na cabeça, ou seja, um monte de tarefas para fazer. Minhas listas diárias eram enormes e eu nunca conseguia fazer tudo, o que me gerava uma frustração e me levava a pensar que não estava fazendo o suficiente. Até que eu percebi que eu não sou uma super mulher. Então eu defini bem os meus focos, escolhi só dois projetos como prioridade e comecei a fazer listas de tarefas realistas no máximo três por dia, quando coloco mais itens defino quais são as prioridades do dia. Por enquanto está funcionando, o dia acaba e eu não fico mais me culpando por não ter feito tudo que podia e também consigo interagir mais com a minha família, que cobrava minha participação nas tarefas de casa.
    No final vai dar tudo certo, já está dando. boa sorte pra gente! :*

  • Pra variar, eu me sinto exatamente como vc descreveu. Só não sei bem qual vai ser a estratégia por enquanto, mas vamos em frente, né?
    :**

  • Me identifiquei com parte do seu desabafo, mas eu sou uma pessoa que não consegue viver sem listas e agendas organizadas.
    Ou eu sigo 100% o planejamento ou fico inerte igual uma planta. Preciso encontrar um meio termo XD
    Essa parte de cobranças é péssimo. Acho que nos cobramos bem mais do que os outros esperam de nós, tem horas que contar até 3 (ou 10), respirar fundo e relaxar é a melhor escolha.
    Boa sorte!
    Bjuxxxx