27 de outubro de 2010

Coadjuvante

Eu não sou e nunca fui aquela menina que tem um monte de amigos. Sempre fui a garota que observa tudo e a todos do canto da sala e de quem a maioria das pessoas nunca lembram o nome. Foi assim no colégio, no cursinho de inglês, na academia, no trabalho, na faculdade… Em todos os lugares.

Sempre quando você começa uma nova etapa, você seta que a sua meta é deixar de ser tão tímida e falar com as pessoas, interagir, se envolver com o grupo, fazer amigos. Mas conforme o tempo vai passando, você percebe que não deu certo de novo e você simplesmente não consegue vencer quem você é: um bicho do mato.

Você se esforça, tenta fazer comentários em assuntos alheios, compartilha risadas, faz uma piadinha para chamar a atenção e ainda assim, nada. Dos 50 rostos conhecidos com que você se depara quase todos os dias, você só tem contato com 3. Os outros 47, praticamente nem te enxergam. Chega a ser frustrante perceber que todo mundo tem o seu grupinho e você está passeando pelos corredores sempre sozinha. As pessoas nunca sabem o seu nome. Você pode se ausentar por dias e ninguém terá notado ou se lembrará disso na próxima vez que te vir. É assim que eu me sinto: invisível.

É muito difícil para mim ser sociável. Parece que eu não nasci para ser assim. Não levo jeito. Certas vezes até dá inveja das pessoas que são “lotadas” de amigos, vontade de pedir emprestado… Sei que depois que já estou enturmada, tenho várias qualidades como amiga; eu escuto, me abro, rio e choro junto, mas o difícil é chegar até aí. Quebrar esta primeira barreira sempre foi a pior parte.

Em cada etapa da minha vida eu prometi a mim mesma tentar mudar e “fazer parte”, mas nunca consegui. Pelo menos não da forma como eu esperava. E não foram poucas as vezes que eu tentei. Então, nem vou tentar mais. Vou continuar a mesma, quietinha, tímida, do meu jeito, coadjuvante na minha própria história, olhando tudo do canto da sala. Não me sinto mal do jeito que sou, só gostaria de ser mais comunicativa, menos envergonhada.

Sei que as amizades que fiz ao longo da minha vida são verdadeiras e é isso que vou levar comigo. Mesmo que sejam pouquíssimas. Mas não é isso que vale? Qualidade, ao invés de quantidade? Sendo assim, eu estou feliz… Posso contar nos dedos da mão todos os meus amigos e apesar de querer ter muitos e muitos mais, não tem problema, porque eu sei que, neste caso, a quantidade não faz a diferença.

Escrevi este texto no início do ano, um dia de noite, lá na faculdade… Guardei a folha junto com as coisas do blog, porque achei que seria legal postar o texto aqui… Fiz algumas alterações, cortei alguns pedaços, adicionei outros, mas a essência do texto é a mesma… Sempre fui melhor escrevendo do que falando. Talvez seja por isso que eu goste tanto de blogar, porque tenho oportunidade de conhecer muitas pessoas por aqui, de uma forma mais fácil para mim, e me identifico com várias delas. E apesar de não conhecê-las pessoalmente, também as considero como amigas, mesmo que virtuais…

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15 comentários em "Coadjuvante"
  • Eu adoro ler blogs! *-* Saber quem são as pessoas (que se não fosse a net talvez eu nem soubesse que existissem o.o), o que pensam… Já pensei em fazer um. Mas a minha vida não é do tipo “Corra Lola Corra”, e acho que não teria muito o que dizer. =( descobri o seu blog ontem e já gostei muito do que encontrei aqui. ^^ temos a mesma idade. =D

    E sobre seu post…. As amizades que tiver que aparecer em nossa vida surgirão sem esforço. Tipo “estava escrito” sabe? Acho que é assim… Mas um sorriso para desconhecidos já é meio caminho. Beijão!

  • Oi! =) Achei seu blog por acaso (linkado em algum outro), e fiquei boquiaberta assim que li esse post! Me identifiquei muito com a situação que você descreveu: se sentir meio “deslocada” em todo lugar que frequenta. Como se você não fizesse a menor diferença para ninguém.
    Depois de passar o dia bem chateada por motivos relacionados a esse probleminha de convivência com as pessoas, ler seu texto até me animou um pouco; senti como se não fosse mais a única que passa por isso. Aliás, sempre tive certeza de que não era a única, mas nunca tinha visto alguém que tivesse exposto isso de forma tão clara, como você fez.
    Acho que realmente quantidade não supera qualidade… Tenho poucos amigos, mas vejo que eles realmente valem por mil!

    Gostei muito do seu blog, vou voltar sempre =) Bjs!

  • Hey, que honesto seu texto.Eu confesso que não sou assim como você, sou mais comunicativo, porém sempre me aproximo mais de pessoas que são assim como vc diz ser no texto. Não sei o porque mas é assim. E você esa certa que qualidade é melhor que quantidade, eu tennho várias amizades, mas sei quais são as que estão comigo para vida e as passageiras… o importante de ser comunicativo é ter um “network” bom, pra mim que faço publicidade pelo menos. Eu lhe digo uma coisa, caso queira perder a vergonha de quebrar o “primeiro passo” faça algo relacionado a teatro por um tempo, ajuda mto. Eu pretendo fazer pra perder a vergonha de fazer apresentações em publico, só, já que amizades me dou bem com primeiro contato.
    Enfim, boa sorte. Bjs.

  • Eu não saberia me definir, pois cada cenário que me é apresentado, reajo de maneiras diferentes. Posso ser tímida, brincalhona, simpática, enfim…
    Eu adorei o seu texto e me identifiquei bastante, porque eu não sinto a necessidade de sempre “fazer a social” nos lugares, gosto de ficar no meu cantinho, de observar, de ouvir, e tem pessoas que até já se sentiram até intimidadas com esse meu jeito! hahaha
    E a graça da amizade é isso, você se sentir confortável com a presença outra pessoa, mesmo que nem sempre temos novidades ou estamos muito empolgados, né? Fora que cada pessoa tem suas características e descobrí-las a cada dia é uma sensação tão boa! Bom, é isso o que eu penso =)

    Beijos mil Fernanda!

  • OO querida, texto lindo, sou atimida tb mas graças a Deus nunca fui excluida, sofri um pouco na escola mas sempre tive amigos, No trabalho tudo ok. Não tenho tantos amigos assim, apesar q é minha culpa mesmo, por não entrar em contato ou combinar de se rever, sei lá as vezes me sinto um bicho do amto, mas entendo tudo isso, não podemos evitar é uma coisa estranha mesmo eu sofro as vezes uma dificuldade, quando não estou a vontade começo ficar nervosa, e por ser branca como leite acabo ficando vermelha de mais e isso definitivamente eu odeio e me atrapalha, alias isso é minha grande dificuldade q tento a tempos controlar, mas fora isso eu até q me dou bem.
    Precisamos extravazar e sim não adianta ter numeros se vc não sabe nada e neim o valor deles, quanto menor maior a admistração.
    beijos!

  • Caramba eu era iguazinha a vc sabe. O meu problema é q eu sempre ficava sozinha mas nunca gostava disso aí eu ia tentar conhecer as pessoas. Fiz grandes amizades assim.
    beijos!

  • Senti vontade de comentar nesse post porque eu me sinto um pouco assim… Na verdade, antigamente, eu tinha muito mais amigos, mas era coisa de criança, eu acho. Agora é que eu sinto mais a falta, talvez.
    No colégio eu tenho meu grupinho e é legal isso. Mas a gente não sai muito juntos, só às vezes. Eu até me inturmo bastante, na sala todo mundo me conhece e eu vivo fazendo todo mundo rir, mas eu sinto falta de amigas que venham na minha casa, que eu possa ligar a qualquer momento para sair ou simplesmente conversar comigo. Tem lugares que o pessoal tenta me inturmar e apesar de querer muito eu acabo “travando” um pouco. Tem vezes que eu sinto que é apenas questão de tempo… Talvez seja. Eu estudo no mesmo colégio desde o primário e agora estou no segundo ano do ensino médio. Eu sinto que quando for para a faculdade ou arrumar um emprego as coisas vão mudar.
    Eu acho que a gente tem que querer se inturmar, buscar conversar mais, arriscar somente. Mas mesmo que isso não seja o suficiente, temos que nos gostar da maneira que somos. Às vezes podemos estar cercados de pessoas que nos amam e nem perceber, rs. Não sei se é bem essa a situação, mas eu desabafei, rs. Beijão!

  • Oi querida blogueira, eu tambem sou assim como você quieta no canto, sem muitos amigos, e sempre com aquela vontade de falar com todos!!! Eu já sofri muito com isso mas hoje não sofro mais porque a vida me ensinou a não sofrer mais por amizades que não te merecem, mas o jeito é cabeça erguida e bola pra frente, não desista de seus sonhos só porque você não tem muitos amigos. Antes ter poucos e serem verdadeiros do que muitos e serem falsos.bjs

  • AMEI seu texto, sério, é ver o meu sentimento em palavras. Mas sempre que esse sentimento me faz “mal” eu penso no fato de que as minhas amizades são BEM mais sinceras do que a dessas pessoas que acabam me ignorando. E não são só teorias, são fatos. Vejo essas pessoas brigando por coisas pequenas, bobagens e não conseguindo superar isso enquanto que os amigos que eu tenho são a prova de qualquer tempestade.
    Lindo texto, parabéns. Tb adorei o blog, que visito pela primeira vez. Voltarei sempre rs.
    Bjo

  • Esse foi escrito pra mim, você contou a minha vida, Fernanda. Eu não tenho vergonha de dizer que tenho poucos amigos, acho até melhor poque sou muito tímido e às vezes não sei o que falar no meio de pessoas que só falam besteiras, consumismo e esquecem que o amor é a melhor coisa pra se falar.

    Conto nos dedos quantos amigos tenho, sou feliz por esses que tenho e os que terei!

    Lendo alguns dos seus textos percebi que você se parece muito comigo, gosto musical, livros, modo de vida e afins… Tenho uma coisa pra fizer a nós: Vamos ser felizes e esquecer quem não nos quer por perto ou não faz questão da nossa presença. O amor é tudo!