1 de agosto de 2011

Aconteceu naquela noite…

Desde o início da noite estávamos naquela situação: ele de um lado do salão e eu do outro, mas nossos olhos não se desgrudavam nem por um segundo… Eu não sabia muito bem o que fazer e, aparentemente, ele também não, pois ficamos mais de duas horas apenas trocando olhares à distância. Um pouco mais tarde, me distraí por alguns minutos e quando virei para olhar para ele novamente, ele não estava mais lá. Olhei para todos os lados, procurando aquele rosto único, mas não o encontrei em lugar algum. Senti uma tristeza imensa na hora e soube que o resto da noite não seria mais o mesmo…

E não foi mesmo! Eu estava conversando distraída com minhas amigas, quando, de repente, senti alguém tocar no meu ombro. Sem pensar, virei para trás e senti meu chão desabar abaixo dos meus pés. Era ele. Sorri, meio sem jeito, e fiquei o olhando, sem saber o que fazer. Ele pegou meu braço e me puxou um pouco para trás, enquanto eu, discretamente, escaneava cada detalhe do corpo e do rosto dele. E eu tinha razão, o rosto dele era perfeito. Não tinha nada excepcionalmente diferente ou especial nele, mas era perfeito pra mim. Per-fei-to!

— Desde que você chegou e eu coloquei os olhos em ti, estou com vontade de te beijar. Mas eu não sou muito bom com estas coisas… Você se importa se eu te beijar agora?
— Eu não me importo. Você sabe que eu quero isso há horas — disse eu, ainda gaguejando um pouco.

Ele riu, sem jeito.

— Eu não sei muito bem por onde começar.
— Se você me der cinco minutos para tomar coragem, não vai precisar fazer nada… Eu faço.
— E eu faço o que enquanto isso?
— Cinco minutos, só espera — eu disse, não acreditando nas palavras que tinham acabado de sair da minha boca.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, enquanto olhávamos fixamente um nos olhos do outro. Eu não consegui evitar de sorrir.

— O que foi? — ele perguntou.
— Nada. É só que… Você é tão lindo. Poderia passar o resto da vida te olhando.

Ele sorriu para mim, me deixando ainda mais tonta. Não sei se eram meus olhos, mas cada detalhe do rosto dele era pura perfeição para mim. O jeito como os olhos dele ficavam pequenininhos cada vez que ele sorria ou como as suas sobrancelhas levantavam cada vez que eu mordia meus lábios. Ficamos nos olhando por alguns minutos, até que eu finalmente descongelei e consegui fazer alguma coisa.

Não foi a atitude mais relevante do mundo, mas para a minha timidez, já era grande coisa. Agora eu estava segurando a jaqueta aberta dele, brincando com um botão por entre meus dedos, enquanto ele olhava para baixo, acompanhando cada movimento da minha mão. Levantei o rosto e contemplei o brilho dos olhos dele, que me olhavam com timidez e, ao mesmo tempo, com carinho e desejo.

Quando baixei o rosto novamente, para olhar para o botão da jaqueta, puxei o corpo dele pra mais perto do meu, ficando apenas alguns milímetros de distância separados. Coloquei minha mão na cintura dele e o olhei novamente, desta vez, nossos rostos separados apenas pelos fios do meu cabelo, que estavam caídos na frente do meu rosto. Ele me olhava ansioso e eu sentia que ele estava tão nervoso quanto eu.

Eu pensava pra mim mesma, “vai aos pouquinhos, devagar, tu consegue” e sentia minhas pernas tremerem a cada ideia que me vinha à cabeça. Não sabia se procurava pela mão dele, se o abraçava pela cintura, ou se simplesmente aproximava meu rosto, encostando meus lábios nos dele e o beijando de uma vez. E foi o que eu decidi fazer.

Subi meu rosto à altura do dele e posicionei minha boca à frente da dele, ainda sem tocá-lo. Eu podia sentir o hálito e a respiração rápida dele, tão apavorada quanto a minha. Eu não sabia como agir em situações como esta e sempre travava quando qualquer coisa estava prestes a acontecer. Desta vez, eu tinha na minha frente alguém que entendia perfeitamente cada dúvida e cada medo da minha cabeça, porque ele sentia exatamente as mesmas coisas. E, pela primeira vez na vida, eu sabia que eu não precisava ter medo de nada, porque a gente ia conseguir juntos, e ia ser muito mais perfeito do que jamais foi com outro alguém.

Encostei meu lábio no dele e fiquei olhando em seus olhos. Eles também ainda estavam abertos e me olhavam calmamente, com o olhar mais doce que eu já vi neste mundo. Por vezes, eu sentia o lábio dele se contorcer em um sorriso, mas ainda nos olhávamos quase sem piscar. Sem eu perceber, minha mão saiu da cintura dele e foi parar em suas costas, o abraçando levemente. Eu já não sentia mais minhas pernas e minha barriga era uma coleção de borboletas, que voavam para cima e para baixo, me deixando mole de tanto prazer. Naquele exato momento, pensei para mim mesma: “estou me sentindo assim e ainda nem aconteceu nada”.

Ele subiu uma das mãos até o meu rosto e ficou fazendo pequenos caminhos com a ponta do dedo indicador. Em cada lugar que o dedo dele passava, eu sentia um rastro de calor e pequenas faíscas de desejo. A sensação que a pele dele trazia à minha era indescritível. Eu queria parar o tempo e sentir aquilo para sempre. Minha cabeça estava em um outro lugar. Era só nós dois, e o resto do mundo não importava.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos e sussurrou entre meus lábios:

— Eu sabia que ia ser assim, perfeito — e sorriu.

Fechei devagar meus olhos e beijei levemente os lábios dele. O beijo começou devagar e, aos poucos, fomos acelerando o ritmo. Na maior parte do tempo, nos beijamos em slow motion, aproveitando cada toque e cada movimento que nossos lábios e línguas faziam. Era como se fôssemos um, e podíamos sentir que estávamos em perfeita sintonia. Nos beijamos por horas e não vimos o tempo passar. Não me lembro como cheguei em casa, não me lembro de como nos demos tchau e não me lembro o nome dele, só o que consigo pensar é que naquela noite aconteceu o melhor beijo da minha vida e que, assim como o rosto dele, foi único… E perfeito.

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