30 de novembro de 2011

A Despedida

Eu estava tentando não ficar tão deprimida com a situação, mas não tinha jeito. Eu estava triste demais por estar indo embora e com o coração partido, principalmente, pelo jeito como as coisas terminaram para mim… Mas partir era o melhor a fazer, eu precisava sair deste lugar, ver novos rostos, novos cenários, sentir novos ares. Eu precisava começar do zero e estava sendo difícil seguir em frente continuando no mesmo lugar. Eu precisava de mudanças, de novidades; e foi por isso que decidi dizer adeus.

Na minha mão direita, um livro da Emily Giffin, para ler durante a viagem. Minha bolsa estava pendurada no braço esquerdo, que também segurava minha jaqueta jeans, um tanto desbotada de tanto ser usada nos últimos meses. Alguns amigos ainda estavam conversando próximos de mim e minha família estava reunida em um círculo, trocando risadas e chamando a atenção de pessoas que passavam por perto. Minha mãe, aflita, entoava um discurso de recomendações, que entravam por uma das minhas orelhas e saíam pela outra, enquanto eu divagava sobre minhas reais intenções por estar fugindo para tão longe.

Coragem era algo que não me faltava, de fato. Todos me diziam que ir embora de perto da família e dos amigos era algo difícil de se fazer, mas “um sonho de infância” já não era a minha maior desculpa, eu tinha motivos muito mais fortes do que qualquer pessoa poderia imaginar. Eu precisava tirar ele da minha cabeça, eu precisava colar os pedaços do meu coração de volta em um todo e colocá-lo, intacto, em seu lugar original. Eu precisava me desapaixonar, eu precisava não pensar nele vinte e quatro horas por dia, eu precisava terminar com aquela saudade que me matava por dentro e que não podia ser saciada. Eu precisava não amar aquele menino, por mais perfeito que ele fosse aos meus olhos, e encerrar de vez todo aquele sofrimento.

E foi quando eu decidi fugir. Correr o mais rápido que eu pudesse e não conseguir mais enxergar qualquer traço da vida dele na minha. Esquecer os beijos que me davam frio na barriga, os abraços apertados toda vez que tínhamos que dar tchau, da mão dele na minha, do jeito como ele parecia sorrir para mim de um jeito diferente. Esquecer que o sentimento dele havia mudado e que tinha me deixado amando sozinha, sem saber absolutamente o que fazer. Eu precisava nunca mais olhar para o rosto dele, arrancar ele do meu peito, e, para isso, eu precisava estar longe. Longe o suficiente para não pegar o carro às 2h da manhã e ir tocar na campainha dele, pedindo por uma conversa que sempre terminava igual: “eu ainda gosto de ti, mas acho melhor ficarmos separados por um tempo”. Doía todas as vezes. E cada vez mais.

A voz do alto-falante anunciou a última chamada para o meu voo e todos viraram em minha direção, quase que fazendo fila para um último abraço, antes de eu embarcar para outros onze mil quilômetros de distância… Meus olhos já estavam marejados de lágrimas; não por estar dizendo adeus a tantas pessoas queridas, mas por saber que, em alguns minutos, eu certamente não veria mais o rosto dele. De uma vez por todas. E por mais que fosse preciso partir, era doloroso saber que um dia ele não faria mais parte da minha vida. Porque eu queria ele na minha vida, mais do que tudo. Eu queria ele pro resto dos meus dias, para todo o sempre.

Abracei meu pai e minha mãe e arrumei a alça da bolsa no meu ombro. Minha cabeça insistia em ficar olhando para todos os lados, como um radar, à procura de um rosto familiar e buscando aflita pelo par de olhos castanhos mais lindos deste universo. Peguei meu cartão de embarque na mão e me dirigi ao balcão de entrada, pronta para deixar toda esta vida para trás e encontrar outros sorrisos para me fazer feliz. Cada passo em direção ao balcão era uma tortura, que só parecia machucar mais e mais. Sentia como algo me puxasse para trás, impedindo de continuar, segurando minhas pernas para que não pudessem ir para longe. Mas era apenas a minha esperança, se agarrando nos últimos minutos daquele lugar, pronta para me fazer desistir e voltar a lutar pelo meu amor.

Mas era tarde. Entreguei o cartão de embarque à recepcionista e observei minha mão tremer de volta ao bolso da calça. Era isso então. Este era o fim. Eu estava desistindo, eu estava me entregando; não havia mais o que fazer. A recepcionista conferiu meus dados no papel e devolveu minha carteira de identidade, sorrindo para mim da maneira mais simpática possível. Olhei mais uma vez para trás, levantando a mão para acenar aos meus queridos amigos e familiares, e foi quando tudo congelou. Meus olhos se fixaram naquele sorriso conhecido e eu senti minhas pernas amolecerem abaixo da minha cintura. Não sabia se estava delirando ou não, mas eu parecia ter sido transportada para um outro local. O Paraíso.

Ele deu um passo pra frente e sorriu de canto, daquele jeito que me deixava louca. Senti uma mão apertando meu braço, me empurrando para o lado, e então me dei conta de que estava impedindo outros passageiros de entrarem para a sala de embarque. Dei alguns passos para o lado, larguei minha bolsa, jaqueta e livros no chão e continuei olhando fixamente para os olhos dele. Alguns segundos depois, ele estava na minha frente, levantando a mão para enxugar uma lágrima que escorria pelo meu rosto. Ele sorriu novamente, segurou meu queixo por entre os dedos e perguntou se podia me dar um abraço. Não consegui emitir som algum, mas ele entendeu meu sinal com a cabeça e me envolveu em seus braços. Nunca me senti tão segura, tão completa. Nunca desejei tanto que o relógio parasse, que um momento durasse para sempre. Nunca achei que o abraço dele pudesse ser melhor do que já era. Mas ele sempre me surpreendia, sempre.

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